16 de abril de 2014

LA TRENTESIMA


Monstro,

tire essa poeira das minhas pálpebras e

me leve aos

trecentos,

quattroccentos,

cinquecentos

30 vezes

em

30 frases

com aquela objetividade das princesas

As demais 20:

aquilo

da fragilidade monstruosa das coisas que tocávamos

ela se lamentando como um menina de doze anos que mexe seus pés como quem finge entender coisas como in statu evanescendi

(Monica e aquelas dolorosas sutilezas ininteligíveis ao dizer não importa o quê em não importa qual língua indo-europeia enquanto a escritora ingênua que ri da perda da inocência é assassinada)

Ai,

Monstro,

tire essa poeira das minhas pálpebras e com as 10 restantes construa

PAREDES PARA O MUNDO

como quem estanca a transformação das vísceras em não-vísceras; como quem para o coração sem parar a vida como se fosse possível

que as paredes não se inflamassem

e isso seria algo tipo moenia mundi intactas  

e teria algo como my poor heart

inflamado e flácido

I love the vagueness of immortality

escrito no bolso de sua camisa



2 de dezembro de 2013

CELESTIAL MIMESIS

Translation: Christopher Saku



We are in the pool and you ask me if it hurts to be so (    ) and I answer yes, it hurts a lot and I literally feel
(                                                 )

And I say:

"All my muscles strain from top to bottom and burn."

You hug me (in the water) and remain silent and then I cry like the invisible woman.

ii.

All our organs seem to sink when we start to swim 
 (which is strange), but I do not care and think: I cry a river over you, and I repeat I cry and I repeat a river and we swim.

(I could cry in the same pool twice and it would be unimportant to distinguish between chlorine or tears on my skin).

iii.

Now all our organs have most likely sunk and spread out without us realizing 
  we swim.

Suddenly I remember! 
  The following: I can not swim. But that does not seem to prevent in the slightest the fact that I am swimming with you now in this vast pool, tiled by celestial mimesis. And this does not prevent you from asking me if it's terrible to feel (    ) and I answer: Yes, it's terrible to feel
(                                                 ).


6 de novembro de 2013

BLUE PURPLE SPYGLASS


CÉU SEM JUSTIÇA
(a placa)

As partes externas-umas-às-outras, i.e,
esquartejadas.

Isso não é um sacrifício.

A Paródia da Mutilação de Hermes

ou

O Último Movimento de Seus Lábios no Ato de se Descarnar Antes do meu Direito Devorar as Esgarçadas Sobras que Boiam em suas Roupas Claras.

Depois da placa

[ver acima]

Não haverá U-Turn baby

Você estará com seus shorts brancos e

Deus deverá saber o que fazer com o mais alto grau de sua Imperfeição

então

aqueles small-talks sobre 

suicídio

e

longe

i.e.

Do Lado de Fora da Janela

não há roupas claras nem

pontas duplas no meu cabelo



estão as sobras de sua pele morta (sem púrpura

sem azul

com a detestável 

palidez de suas roupas claras)



(como se trazendo melancolia para a Times Square mas

visível apenas com um blue purple spyglass) 

a placa que diz algo sobre o céu como quando você tropeçou  

para 

fora

daquilo

que a gente entendia

“CÉU SEM (etc)”

com nossos órgãos entrelaçados.







6 de outubro de 2013

O DIA QUE UM ESPECIALISTA EM BALÍSTICA ME TROUXE O SEU FÍGADO DE ALCÓLATRA NUMA BANDEJA DE PRATA


No melhor dos mundos 

nada aparece inconsequentemente no fundo dos meus olhos.

No pior dos mundos 

você está

VIVO

correndo e andando de bicicleta.

A maior de todas as traições.

sua felicidade

Fucking asshole!

No melhor dos mundos

você não chega ao ponto de construir

minha estátua masturbando Vênus

nem

The So Sweet Objeto Desinteressado Baby

você entende a sua verdadeira natureza de

eunuco 

ouve

when a man loves a woman na voz de Ottis Reeding


se mata.



27 de setembro de 2013

A EXPLOSÃO DO BALÃO VERMELHO

depois

morro mais uma vez

como imagino que uma mulher do séc. XIX morreria pois é mais poético morrer como uma mulher do séc. XIX morreria mesmo se você for um homem

ou

porque é melhor morrer como qualquer outra pessoa morreria

e

(diga logo!)

deve ser bom não morrer sozinho

de verdade

eu digo

como se existisse alguém dentro da sua mente acompanhando sua morte dentro de você e esse alguém      

sim

diria coisas que você gostaria de dizer

“o estupro ao solipsismo é o que eu sempre entendi por penetração”

e então

talvez

você se sentisse menos

(i)

insaisissable

(ii)

a virgem velha morrendo sozinha em minas de minério

(iii)

a imagem mental de 
caverna

(iv)

a coisa em si da 
caverna

(v)

uma caverna qualquer (que ninguém ainda se deu o trabalho de chamar de                
caverna)

até o momento em que

psiu!

sua vida

explode num balão vermelho 

10 de julho de 2013

A SOLIDARIEDADE DOS ABALADOS

Meu conto "A Solidariedade dos Abalados" na Coletânea Prêmio OFF FLIP.



Link aqui:

http://www.amazon.com/dp/8562705152


Também pode ser encontrado na Revista Parênteses.




Link aqui:

http://www.revistaparenteses.com.br/edicoes/

14 de junho de 2013

I SPENT ALL NIGHT THINKING OF YOU AND M


I spent all night thinking of you and me

living like pink things

floating in Dark Deep Peace

and you are sick now

living in a rock fungi house with heavy clouds stored in your jacket

and I

feel like I had lost − −

wet

in the swamp you dry your clothes



13 de junho de 2013

PÓS-ESPACIAL


i.

eu vou sentar nesse lado do banco e esperar - - chegar


e eu sei que - - vai chegar assim 

"A Maior Dor Do Mundo Sem Aspas"

e pode ser que não haja espaço ali no espaço do banco quando então - - chegar 

(vasinhos 


se rasgam 




assim que - - chegar


eu sei !


o Todo


vaza)

estou indo então na direção desse banco para esperar e agora parece de fato provável que -- 

ou

explosão disso dentro até rasgar a gargantula válvulas todas

ou 


um pouquinho mais


ou


até não haver mais


mãos




e tudo ser 


pós-


espacial 


ii.


O Enfim-Grande-Depois toca o Aquilo-Que-Depois


veja!

cinzas


caem,


furam,


entram,


enquanto


o 

agora o que será de mim?


espera 


(ai!)


do outro lado 

do banco


7 de junho de 2013

PNYX


(a)

?

quem

guardião

futuro

um útero

[oh!]

(por sorteio)

irá

“o não qualquer um escolhido pelo Acaso”

(b)

lento & dilatado & pró-gold.

gotas de ouro penetrantes

(chuva)

geram algo assim 

A Bola De Ouro Uterina

ou


Uma Ninfeta Ao Sol 


(c)

AQUI ESTÁ O SEU DESTINO

(pedra)

sorteado entre aqueles que podem balançar as mãos

(d)


do futuro os homens livres dizem


Oh!



19 de maio de 2013

O ATAQUE


I. PRIMEIRO

levantou a lança e atingiu no centro (não no centro real, mas no centro=X) e ele ficou escorrendo.

II. SEGUNDO

todasuacoisaBIGeuvou[ex]plodircommeubíquineVERMELHOcomdelineadorrosaSHOCKemorangosacairãojunto{un[tt]o−nisson}comtuacabeça[he-reta]quebrûleetjenem'importepasagoraque 
eutambémres[es]pi[spin-spinix-spindo]rosemennomármoredosdentes

III. COMO ENTENDER O ACONTECIMENTO?

Ver: A.V. A aceitação da morte na hora do assassinato torna a vítima moralmente superior ao assassino? Rio de Janeiro: Cia das Vozes, 2013.

M.M. “Por que ele não chupa seu próprio pau e morre envenenado?” In Como lidar com Maridos Arrogantes. Estante – Auto Ajuda
                                                   /
                                                   Seção – Esposas.

_____. Notas sobre a impossibilidade do perdão incondicional. Rio de Janeiro: Cia das Vozes, 2013.

Anônimo. “O último dia que te amei eu vi pela primeira vez a neve.” [online] escrevendooamanhã.blogspot.com.br. Acessado em Abril 2013.

F.G.B.M. "Eu estuprei e ela gozou." Depoimentos. Revista Contemporary Man. Em: Fale Leitor! Editora April.


P.F. A mulher na contemporaneidade: a derrota de Pandora? São Paulo: Imuninasfoforescente, 2013.


11 de maio de 2013

BURACO COM PUS



cá estou sentada sobre essa escadaria –

meu cabelo é liso/há vento/meu cabelo voa

enquanto o mundo parece estar dizendo:

“Oh! Como preciso escoar a carne que está se aglomerando no meu rosto”

e é como se eu soubesse de cor uma frase (qualquer) de uma tragédia (qualquer) e a declamasse num tom

infinitamente melancólico

e também é como

se eu preferisse pensar que as folhas e ventos que passam no meu cabelo agora são frutos de alguma vontade,

como se alguém mandasse – de presente – 

“folhas e ventos” 

para Rua General Glicério, dia 5 de Maio, Sedex

essas folhas [olhe para elas!] estão prometendo tampar o buraco com pus que existe (e ninguém sabe) entre cada fio de cabelo – aqueles que voam no vento agora como se fossem estrelas de cinema.




4 de maio de 2013

MIMESE-CELESTIAL




i.

Nós estamos na piscina e você me pergunta se dói ser assim (   ) e eu respondo que sim, que dói muito e que sinto literalmente 
(                                                                            )

E digo:

“todos meus músculos puxam de baixo para cima e ardem.”

Você me abraça (dentro d’água) e fica em silêncio e então eu choro como a mulher invisível.

ii.

Todos os órgãos parecem cair quando começamos a nadar – (o que é estranho), mas eu não me importo e penso: I cry a river over you, e repito I cry e repito a river e nós nadamos.

(eu poderia chorar na mesma piscina duas vezes e não seria importante distinguir se o que existe na minha pele é cloro ou lágrima).

iii.

Agora todos nossos órgãos já devem ter caído e se esparramado sem que a gente se desse conta − nós nadamos.

De repente me lembro! – o seguinte: eu não sei nadar. Mas isso não parece impedir nem um pouco o fato de estar nadando com você agora nessa piscina tão larga de azulejo mimese-celestial. E isso não impede que você me pergunte se é terrível se sentir (     ) e que eu responda: sim, é terrível se sentir
(                                                                                ).



2 de maio de 2013

A MULHER COM VOZ



Eu me sentindo

− a mulher com voz −

ao mesmo tempo

uma dor de cabeça

que eu penso se não vai nascer

minha filha da minha

cabeça

e as dores, dores do parto todas todas na minha cabeça

mas minha filha não nasce e as dores aumentam na cabeça toda se espalhando tanto que mal consigo terminar saber como eu comecei e ainda tem que ter um fim essa fras

Deus (eu penso Zeus) quer me castigar −

eu penso

mas não,

Deus não pode ser logicamente concebido num mundo que Pandora dá luz à Atenas

então,

a dor de cabeça existe num mundo sem Deus


escondida no invisível, indiscernível nas coisas que os seres sem dor de cabeça podem ver.

ela se espalha e gruda sinistra em tudo

 –  permanece lá –

minha maternidade

1 de maio de 2013

ISSO É TUDO E ISSO É UM SHOW



A CENA:

Ônibus 583. Motorista e Trocador agem como se estivessem numa partida de futebol.

PERSONAGENS:     

Trocador = Radialista.

Motorista = Atacante.

Eu = Eu

Turistas Nórdicos= Turistas Nórdicos

Eu= Turista Nórdica

O trocador recebe meu dinheiro e se volta para o motorista como quem recomeça alguma coisa. Eu percebo que entrei no meio de algo maior do que um "estou voltando para casa de ônibus." O motorista levanta o braço subindo a curva que faz Copacabana se transformar em Botafogo e grita coisas guturais silabais curtas grossas significando coisas simples. O Trocador arredonda a mão na boca  numa forma uivo ovo e descreve a curva do motorista como se o ônibus inteiro fosse uma bola e estivéssemos todos fazendo um gol em Botafogo. A curva desce tudo muito rápido e tudo se mistura com milhares de termos de bola fora área treinador Zezé Cacá Pedrinho muito bom muito ruim cagada para todo ouvir além do mais o barulho do motor. Entram turistas falando línguas nórdicas irreconhecíveis. O trocador se aborrece. Outro ônibus passa com uma velocidade inesperada e quase bate no ônibus que acabara de fazer um gol em Botafogo. O motorista do outro ônibus URRA e levanta a mão para o alto. Nesse momento Eu penso que sou uma Turista Nórdica. Eu penso que estou de férias. Eu penso em tirar uma foto e mandar para minhas amigas nórdicas. Minha pele é branca e esse caos não é meu. Eu tenho vontade de URRAR “Esse caos não é meu.” Eu tenho vontade de bater no outro ônibus e sentir o que eu acho que o motorista sentiu com aqueles URROS. Eu quero ter uma arma, atirar para cima (a outra mão na cintura) e gritar alto, altíssimo: “que porra é essa nesse ônibus”? Mas Eu não sei falar português. Os Turistas Nórdicos descem do ônibus. Motorista e Trocador são indiferentes. O jogo parece ou ter terminado ou estar num intervalo. Eu sinto então que Eu não sou uma Turista Nórdica e  peço em português “licença” para a senhora que estava ao meu lado. Eu desço do ônibus delicadamente.

*

27 de abril de 2013

UM SOLDADO OLHA SÓ



um soldado me olha (agora!) e eu percebo que minha mente entende a essência do soldado como ela entende a essência do ator pornô

então,


ele me olhando, 


assim, 


(agora!)


parece estar me dizendo:


− um pornozinho?

e eu fico

levemente ofendida,

levemente excitada,

levemente entendiada,

e

olho em retorno


enquanto escrevo esse poema aqui.